No texto bíblico, da tradução Revista e Corrigida, de João  Ferreira de Almeida, no capítulo oitavo, versículos dezoito, antes de ser apresentado o texto escrito pelo apóstolo Paulo, aos cristãos de  Roma, ele possui um sub-título ao capítulo oitavo, que não é  apresentado nas demais traduções da Bíblia, foi colocado no lugar  que ocupa, unicamente com a função de esclarecer o conteúdo do  texto que o capítulo oito apresentará. Esse sub-título diz: “A nova  vida debaixo da graça, segundo o espírito de santidade e adoção“.  Deste sub-título destaco, em especial, a palavra “Graça”, que é um  vocábulo precioso e excepcional, mas com uma difícil e exata definição, entretanto, podemos dizer que a graça é a fonte de onde emanam todos os atributos morais da personalidade de Deus, tais, como o amor, a bondade, a misericórdia e outros tantos mais.  Podemos ainda dizer que eles, os atributos, são os elementos que  adornam o caráter Divino para, através da “Graça“, se manifestar a nós, suas criaturas. Eu, digo que a graça é a suprema e mais sublime  revelação espiritual de Deus a nós! 

O nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina que: “Deus é espírito, e  importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”  (João 4.24). Sendo Deus espírito, quando Ele nos deu o dom da  vida, nos deu, também, um espírito, para que com ele, possamos nos  comunicar: Ele conosco, e nós com Ele! Assim a via de nossa comunicação com o Pai, é totalmente espiritual. E como Deus nos  ama verdadeiramente, Ele deseja suprir todas as nossas  necessidades, quer espirituais, morais ou materiais. E a via pela qual  Ele nos acolhe com precisão, é pela Sua graça. Assim, podemos definir o que a graça Deus é o conjunto das múltiplas expressões que  ornam o caráter de Deus. A Sua graça é eminentemente espiritual, e somente Ele nos pode concedê-las, mesmo quando nós somos  indignos de recebê-la. Deus escolheu os Seus profetas e apóstolos  para revelarem a Sua divina “Graça” em palavras humanas, para que  possamos compreender os múltiplos recursos que Ele tem para nos  oferecer.  

Na Bíblia nós encontramos a palavra graça, pela primeira vez,  no livro de Gênesis 6.8, onde nos informa: “Porém Noé achou graça  diante do Senhor“, ou seja, Noé foi salvo da morte no dilúvio, pela graça de Deus. Esse vocábulo percorre por toda a Bíblia, e aparecerá  pela última vez, encerrando o livro de Apocalipse, com uma bênção  final que diz:: “A graça do Senhor Jesus seja com todos“. Essa graça divina, também se expressa a nós, através de Jesus,  de uma forma valiosa que Romanos 5.17 apresenta: ” Se, pela ofensa  de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que  receberam a abundância da graça e do dom da justiça, reinarão em  vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Esse versículo acentua  fortemente, que a graça é de Deus, e é também do Seu Filho, o nosso Senhor Jesus Cristo, e ela é abundante. Recordemos que,  todos os valores espirituais do Pai, se manifestam também na Pessoa  do Seu Filho! 

Na carta de Paulo aos Romanos 5.17, o apóstolo apresenta a  palavra “Graça”, de uma forma excepcional, dizendo que: “Se, pela  ofensa de um (Adão) e por meio de um só, reinou a morte, muito  mais os que receberam a abundância a graça e o dom da justiça  reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”. Para nós  cristãos, o vocábulo “graça” possui um valor excepcional que,  infelizmente, muitos de nós crentes desconhecem. Entretanto, essa palavra expressa os favores ilimitados, que Deus e o Seu Filho, e  o Espírito Santo, nos concedem continuamente. Essa graça de  Deus reina através dos séculos! Amém! 

Se nós queremos receber as dádivas da graça de Deus, há um só caminho que é preciso palmilhar com firmeza: o caminho da fé em Deus, em Cristo, e no Espírito Santo. Como a fé é um dom da  graça divina, ela abre para nós a possibilidade de recebermos todas  as diferentes formas com que ela se apresenta, pois, a graça  somente provém do nosso carinhoso Pai Celeste, suprindo-nos com o  que nós carecemos. Mas, não podemos esquecer que a graça divina se expressou  de uma forma extraordinariamente elevada e única, que somente  DEUS podia efetuar, quando entregou o Seu Unigênito Filho, Jesus,  para ser o Senhor e Salvador da nossa vida. Ninguém, senão, Deus,  poderia nos dar tão elevada graça! O apóstolo Paulo em sua carta ao  Efésio2.8, confirma isso, escrevendo:                       “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé: e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Gálatas  2.8). 

Nunca poderemos esquecer a ocorrência de que nós fomos  salvos pela benevolência da “graça” divina! Esse ato custou muito  caro para Deus, pois, Ele teve de entregar o Seu Filho à morte, para  que nós fossemos salvos dos nossos pecados e obtivéssemos a vida  eterna. Éramos nós que devíamos pagar a Deus o preço da nossa  salvação, mas Jesus a tornou gratuita para nós, pois Ele pagou essa conta por amor de nós. A vinda de Jesus ao mundo, e a Sua morte na cruz, ocasionou não somente o perdão dos nossos pecados, também, esse ato nos proporcionou ganhar a preciosa dádiva que nos tornou filhos do Pai Eterno! Em Cristo Jesus, a graça de Deus se manifestou de uma forma extremamente elevada: “Aquele que não  poupou o seu próprio filho, antes, por todos o entregou, porventura,  não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?”, afirmação de Romanos 8.32. No evangelho de João, temos o testemunho dado  pelo apóstolo, sobre Jesus, dizendo: “Porque todos nós temos  recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada  por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus  Cristo” (João 1.16,17). Tudo que recebemos de Deus são expressões da Sua graça, que vem a nós, para suprir todas e quaisquer necessidades, sejam elas espirituais, morais ou materiais. 

Alguém definiu a rica e preciosa graça de Deus, dizendo que  ela é: “o favor imerecido que Deus concede a nós humanos“.  Verdadeiramente todos nós, éramos pecadores, e como tal, nada  merecíamos, senão a condenação; nós não tínhamos como nos  libertar das amarras com as quais o pecado nos prendia. Diante  dessa triste e trágica situação em que nós nos encontrávamos, e que  nos fazia ser filhos perdidos de Deus, foi com a Sua graça eterna, que  Ele nos recebeu. O texto bíblico nos informa: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo  aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).  

Esta fonte divina é designada, algumas vezes, por: “graça  salvadora“. O apóstolo Paulo, na sua carta a Tito, escreveu:  “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora de todos os  homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e às paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tito 2.11). Nós devemos estar bem atentos, pois, a  graça de Deus, como o Espírito Santo, que estão em nós, podem ser perdidos pelo pecado que cometemos, seja ele qual for, e, com isso,  também, nós perderemos a vida que é eterna!

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Escrito por: Erasmo Ungaretti – Janeiro de 1976

Pastor na comunidade de discípulos em Porto Alegre.

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