A unção de Maria nos é mostrada pelos três evangelistas marcando o final do caminho do Senhor na terra, e poucos dias antes de Sua morte e sepultamento. Além disso, não foi na Galiléia, mas na Betânia da Judéia .O convite em Betânia  foi para uma ceia onde  Ele estava rodeado por aqueles que O amavam,  admiravam, adoravam  e serviam . Essa unção não estava no meio de Seu ministério, mas muito próxima da partida iminente do Senhor,  como diz em Mateus 26:12: “Pois ao derramar este unguento sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento”.  Muitas vezes, na antiguidade, o uso do nardo era para dar coragem. A unção realizada por Maria (Jo 12)  é bela, comovente e encantadora para o coração de Jesus.  A adoração do coração de um santo que o admira, traz prazer ao bendito Senhor e suscita Sua aprovação.

Na palavra de Deus há duas referências de mulheres que ungiram o Senhor Jesus:

A primeira mulher faz parte do começo do ministério de Jesus e se refere a uma mulher pecadora, conforme Lc 9.36-50.

A segunda mulher faz parte do fim do ministério de Jesus e se refere, conforme o texto paralelo de Jo 12.1-8, a uma mulher santa, Maria.

Jesus está em Betânia, na casa de um homem chamado Simão, denominado leproso. O texto indica que este homem tenha sido curado por Jesus deste mal.

Esta história aparece em Mt 26, Mc 14 e Jo 12. Vamos mencionar mais Marcos 12 devido a riqueza dos seus detalhes.

Queremos destacar três coisas sobre a unção de Maria:

1.Uma unção despojada, Mc 14.3-7.

 Imagina a cena daquela época quando as mulheres eram discriminadas, rejeitadas, colocadas em segundo plano, não podiam se misturar com os homens!

 Entretanto, Maria chega neste ambiente com um vaso lacrado, cheio de perfume que custara muito dinheiro, possivelmente todas suas economias, pois correspondia ao salário de um ano de um trabalhador. Ela quebra esse lacre e derrama-o sobre a cabeça de Jesus (só em João 12 diz que ele é derramado sobre os seus pés, enxugando-os com seus cabelos como uma toalha, assim colocando-se como uma escrava) e a casa encheu-se com seu aroma. Ela é  reprovada pelos discípulos, conforme Mt 26, principalmente por Judas, diz Jo 12, ao ponto de dizerem que o que ela fez fora um desperdício, pois se aquele perfume fosse vendido, o dinheiro seria dado aos pobres.

Mas é Jesus quem os reprova ao dizer que ela fez uma boa ação, pois os pobres sempre devem ter atenção deles, mas naquela ocasião era Ele que precisava daquela atenção que foi dada por Maria. Para Maria não era desperdício todo aquele dinheiro que ela gastara para ungir o seu Amado, seu Senhor, seu Salvador, seu Mestre, Jesus. Para ela o valor do seu Amado Jesus excedia a todo e qualquer valor do mundo inteiro.  Amados irmãos, saibam que as nossas decisões revelam o quanto Jesus vale para nós. Quanto ele vale para ti?

2.Uma unção profética, Mc 14.8

 O Senhor Jesus diz que aquela oferta que Maria fez era profética: “Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura”. Era costume da época ungir os mortos com perfumes; daí a palavra profética que Maria proferiu através de sua  da sua atitude, conforme diz em Mc 16.1.

  Possivelmente, seu amor por Jesus, sua comunhão com Ele levou-a a esta revelação, o que ainda não tinha acontecido com os discípulos.  Ela teve mais revelação do que todo o colégio apostólico! É na intimidade com o Senhor que podemos ter sua revelação, podemos contemplar a formosura da sua vida santa e obra gloriosa!

   3.Uma unção memorativa, Mc 14.9

  O Senhor Jesus agora dá uma ordem: “Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua”.

Interessante que a ceia do Senhor é realizada em memória da Sua morte.  E nesta ordem de Jesus diz que devemos contar o que Maria fez para a sua memória. Concluímos que este memorial de Maria nos leva ao memorial do sacrifício de Jesus feito por nós na Cruz! E esta mensagem da unção de Maria deve ser contada por todo mundo aonde for pregado o evangelho, o que hoje eu estou obedecendo.

Maria é exemplo para seguirmos: 

Alguém que amava ao Senhor, tinha intimidade com ele e que era despojado de tudo. Com ela aprendemos que tudo o que fazemos para Jesus nunca será um desperdício:  Não é desperdício gastar tempo na oração, no jejum, na palavra; não é desperdício esperar um milagre por uma conversão, por uma cura, por um emprego, por uma situação difícil; não é desperdício buscar o perdido, visitar alguém enfermo, alguém que está preso, atender uma necessidade; não é desperdício congregar, cooperar na obra, ser fiel nos dízimos e nas ofertas.

  Qualquer sacrifício que fizermos, nunca será maior que o sacrifício que Jesus realizou na cruz por amor de nós. Sigamos os passos de Maria que seguia nos passos de Jesus.

Autor Pr. João Nelson Otto

Presbítero na Comunidade de Porto Alegre, pastoreando vidas desde 1979. Formado em teologia, casado com Sirlei Otto, pai de 3 filhos e avô de 10 netos. Autor do livro “O serviço dos santos”.

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