Todos nós queremos uma igreja viva, cheia do Espírito Santo, que dia a dia o Senhor acrescente os salvos. E o melhor exemplo que temos, encontramos na igreja de Atos 2.41-47. Nela vemos as características da igreja viva. Nela podemos pontuar seu crescimento em três direções. Interessante que os versículos já estão numa ordem que apontam o crescimento desta igreja.

1. A Igreja Viva Cresce para Cima, Atos 2.41-43.
Crescer para cima é crescer em direção ao Senhor. Esta é a primeira condição se queremos uma igreja viva, que tem vida com o Pai, o Filho e o poder do Espírito Santo. Tudo nasce dEle, a origem é nEle. Os versículos 41-43 mostram estas qualidades: o batismo é em nome do Senhor, a doutrina é de Cristo, a comunhão é no Espírito, o partir do pão ou a ceia é do Senhor, as orações é em nome de Jesus, o temor é do Senhor, os prodígios e os sinais vêm de Deus. E uma palavra-chave que podemos pinçar dentre outras é a “comunhão”. João diz que a nossa comunhão é com o Pai e seu Filho Jesus, João 1.3. Assim, vemos esta igreja que por onde ia manifestava a vida, a intrepidez, a presença do Espírito. Os incrédulos viam que eles tinham estado com Jesus. Era uma igreja que marcou no começo sua geração. Fez diferença por onde passava. Deixava as pegadas, o bom perfume de Jesus. Era uma igreja que permanecia durante os anos avivada, desperta, renovado devida sua comunhão com o Senhor.

2. A Igreja Viva Cresce para Dentro, Atos 2.44-46.
Crescer para dentro é crescer em relação aos irmãos. Por isso, podemos pontuar nos versículos 44-46 e 47a este crescimento que trazia vida: eles estavam juntos no templo (lugar público) e nas casas (lugar particular), quando louvavam a Deus e tomavam as suas refeições; tinham tudo em comuns, pois supriam os necessitados. A palavra-chave que podemos destacar é “comum”, grego, Koine, 44. Esta palavra no grego é semelhante a palavra que já citamos, “comunhão”, 42, que no grego é Koinonia.  Devido a comunhão que eles tinham com o Senhor, naturalmente levava-os a terem comunhão entre eles, praticando as mutualidades, os 25 mandamentos recíprocos, com destaque o amor e o serviço, pois a maior expressão do amor uns aos outros é de servir uns aos outros. Os incrédulos diziam: “Vejam como eles se amam”. A vida comum com o Senhor se manifestava na vida comum entre eles.

3. A Igreja Viva Cresce para Fora, Atos 2.47
Aqui podemos concluir, conforme os versículos na sua ordem, que o crescimento na nossa comunhão com o Senhor nos leva ao crescimento da nossa comunhão com os irmãos, que, por fim, nos leva a igreja crescer no acréscimo daqueles que hão de herdar a salvação. E a palavra-chave é “simpatia”, ou, conforme no grego, karen, que significa “graça”, isto é, o favor, o amor, a vida do Senhor no meio da igreja.
Mas destaco aqui o que o Senhor um dia me abriu os olhos para ver algo neste versículo: “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. E a pergunta me veio: “Enquanto isso”, o que, que o Senhor acrescentava os salvos? Então, eu aprendi a ler a Bíblia “de ré”. Pois o Senhor acrescentava os salvos, enquanto a igreja: louvava a Deus, 47; diariamente perseveravam no templo e de casa em casa, 46; supriam os necessitados, 45; estavam juntos e tinham tudo em comum, 44; em cada alma havia temor é, assim, prodígios e sinais eram feitos, 43; perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações; Pedro pregava o evangelho e quase três mil foram batizados, 41 com 38. O que mais? Eles eram batizados e cheios do Espírito Santo, 4. O que mais? Eles buscavam o Senhor por meio da oração. Assim, com esta qualidade de vida santa, o Senhor acrescentava os salvos dia dia. A oração e o Espírito é o berço da igreja, pois a oração nos leva ao Espírito, e o Espírito nos leva à oração. São as características da igreja viva.


A igreja ao crescer para cima em relação à Deus, e ao crescer para dentro em reação aos irmãos, consequentemente, iremos crescer para fora, em relação aos incrédulos. A qualidade de vida santa nos levará à quantidade das vidas salvas. E o Senhor pode fazer isto “de repente”, 2. Como veio o derramar do Espírito, de repente, no Pentecostes, assim nós somos surpreendidos por ele. De repente, a benção desejada chega, uma oração é respondida, um milagre acontece, etc. Como disse alguém: “O Senhor nos dá sustos santos”. E mais, o Senhor também quer “encher nossa casa”, 2, da sua presença, seu poder, seu amor. Quer encher nossa vida, nossa família, a igreja, a cidade onde moramos; faz tudo novo. Assim, ele nos visitará, derramará do seu Espírito, trará vida, restauração, renovação, um despertamento espiritual. E a nossa boca se encherá de riso e gozo celestial.

Autor Pr. João Nelson Otto

Presbítero na Comunidade de Porto Alegre, pastoreando vidas desde 1979. Formado em teologia, casado com Sirlei Otto, pai de 3 filhos e avô de 10 netos. Autor do livro “O serviço dos santos”.

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