O Evangelho de João nos conduz a um dos mistérios mais profundos da fé cristã logo em suas primeiras linhas. No prólogo, João não apenas apresenta Jesus — ele revela quem Ele sempre foi: a Palavra eterna, existente antes de todas as coisas, em perfeita comunhão com Deus e sendo o próprio Deus. Esses versículos iniciais não funcionam como uma simples abertura literária, mas como um alicerce teológico: tudo o que João escreverá depois nasce dessa verdade central — Deus decidiu Se revelar plenamente em Jesus Cristo.
Essa Palavra eterna não permaneceu distante. João afirma algo escandaloso para a mente humana: o Verbo se fez carne e passou a habitar entre nós. O Deus invisível tornou-Se visível. O Criador entrou na criação. Em Jesus, a glória divina ganhou rosto, voz e presença. Nele vemos graça em ação e verdade em movimento. Não se trata apenas de informação sobre Deus, mas de relacionamento — Deus se aproximando para ser conhecido.
Esse movimento recebe o nome de encarnação, o coração pulsante do Evangelho de João. Enquanto Mateus apresenta Jesus como Rei, Marcos como Servo e Lucas como o Filho do Homem compassivo, João vai direto ao ponto: Jesus é Deus. Ele não veio apenas representar Deus; Ele é a revelação final e perfeita do próprio Deus. Ao Se fazer carne, Deus não ergueu um tribunal, mas abriu um caminho. Não veio para condenar, mas para resgatar.
Podemos entender isso com uma imagem simples do cotidiano. Imagine querer salvar criaturas pequenas e frágeis, incapazes de compreender sua linguagem ou intenção. A única forma real de comunicação seria tornar-se como elas. Foi exatamente isso que Deus fez. Em um ato de amor radical, Ele entrou na nossa condição, viveu entre nós e nos apresentou Sua proposta de reconciliação: crer em Jesus, o Cordeiro de Deus, e receber a vida que não termina. O céu não gritou de longe — ele desceu.
Ao longo do Evangelho de João, essa verdade se desdobra em encontros que transformam vidas. Jesus conversa com Nicodemos sobre nascer de novo, oferece água viva à mulher samaritana e restaura a fé de um paralítico esquecido. Em cada diálogo, a mesma promessa ecoa: aqueles que creem recebem uma nova identidade — tornam-se filhos de Deus, não por esforço humano, mas por iniciativa divina.
O prólogo nos confronta com uma decisão. A luz veio ao mundo, mas nem todos a acolheram. Ainda assim, a promessa permanece viva: todo aquele que crê recebe autoridade para viver como Deus planejou. Que essa verdade prepare nosso coração para os próximos estudos, onde veremos como essa Palavra encarnada continua transformando pessoas comuns por meio de encontros extraordinários.
Estudo escrito pelo Dr. Dick Woodward e distribuido por ICM International Cooperating Ministries
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